Com Selic a 5,5%, Poupança tem rendimento de quase 0%

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Com a queda anunciada nesta quarta (18/09/2019) na taxa Selic, para 5,5% ao ano, investidores que escolhem a poupança como destino para seu dinheiro passam a ter rendimentos muito próximos de 0%.

A medida afeta todos os investimentos de renda fixa, e quase anula a rentabilidade dos 65% dos brasileiros que escolhem a poupança como destino para seu dinheiro.

A queda da taxa Selic tem efeitos claros sobre o mundo dos investimentos, como já destacamos aqui, mas como ela impacta tanto no rendimento da poupança?

Antes vamos entender a mudança:

Banco Central baixa taxa Selic de 6,0% para 5,5% 

O Copom, Comitê de Política Monetária, baixou a taxa central de juros central do país de 6,0% para 5,5%, atingindo o menor valor na história.

Efeitos da queda da taxa selic

A redução já era esperada, e está alinhada com as metas de inflação do país. Explicamos melhor a relação entre taxa Selic e inflação neste post, mas basicamente a Selic funciona como um controle para o índice de inflação no Brasil.

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia, e seu valor é a base para calcular os juros cobrados em empréstimos de todos os tipos.

Ao baixar a taxa Selic, o governo estimula a expansão econômica, mesmo que o crescimento da economia traga o aumento na inflação.

Já em uma situação onde a taxa de inflação está alta, o aumento da taxa Selic desestimula a movimentação econômica, freando o crescimento econômico e diminuindo a inflação.

Como passamos por um período de inflação controlada e baixo crescimento econômico (não só no mercado local como mundial), o corte de 0,5% na taxa Selic visa engatar um período de crescimento econômico.

Taxa Selic deve ser cortada novamente

Após o anúncio do corte na taxa Selic, o Copom já sinalizou que fará outros cortes até o fim do ano.

Com duas reuniões faltando antes de fechar o ano, o comitê já indica que taxa vai cair mais, e analistas avaliam de quanto será a queda. É especulado que a taxa Selic chegue até 4,5% ainda em 2019, e mantenha este valor por todo o ano de 2020.

Como a poupança é afetada pela queda da taxa Selic

O rendimento da caderneta de poupança é diretamente afetado pela taxa Selic. O cálculo do rendimento em si fica assim:

  • Com a taxa Selic acima de 8,5%: a poupança rende 0,5% ao mês (6,17% a.a.), mais a variação da TR (taxa referencial);
  • Com a taxa Selic igual ou abaixo de 8,5%: a poupança rende 70% da taxa Selic, somada à TR.

Com a taxa bem abaixo de 8,5%, em 5,5%, usamos o segundo método. 

Seguindo esse cálculo, a poupança está hoje (20/09/2019) rendendo 3,85% ao ano, ou o equivalente a 0,32 por mês.

Mas se ela tem um rendimento de 3,85% ao ano, como seus investidores podem estar perdendo dinheiro?

Acontece que é preciso levar em conta a ação da inflação sobre seu dinheiro. Isso é feito calculando o juros real de sua aplicação.

Juros real – calculando quanto seu dinheiro realmente rende em uma aplicação

O juros real, em oposição ao juros nominal, é a taxa que seu dinheiro vai render em uma aplicação levando em conta a desvalorização monetária causada pela inflação.

Seu dinheiro está constantemente perdendo valor, por isso 1 real hoje não compra o que comprava a 10 anos atrás. A taxa com que seu dinheiro desvaloriza é o que conhecemos como inflação, ou IPCA.

Por isso, ao calcular quanto seu investimento vai render, é preciso calcular também a depreciação sofrida no mesmo período. Afinal, se em um determinado período seu dinheiro render 5% mas desvalorizar 5%, no fim você vai ter o mesmo poder de compra.

Qual o juros real da poupança nas condições atuais

Existe uma fórmula específica para calcular o juros real que vou mostrar, mas para facilitar a explicação, antes vou dar um exemplo simplificando a conta:

Se você investe 1.000 reais na poupança hoje, e deixar aplicado por um ano, ao final seu dinheiro terá um rendimento de 3,85%.

Entretanto, no mesmo período seu dinheiro vai desvalorizar 3,71%, que é a taxa de inflação atual segundo o Boletim Focus do Banco Central.

Por isso, o rendimento real durante este ano será de aproximadamente 0,14%. 

Este é um valor difícil de perceber, levando em conta que seu dinheiro vai crescer os 3,85%, e chegar a R$ 1.038,50. O problema é que para comprar a mesma coisa que você comprava com os R$ 1.000,00 a um ano, você precisaria hoje de R$ 1.037,10. 

Por isso chamamos de juros real. Ele é o cálculo preciso de quanto seu poder de compra realmente vai aumentar.

Como expliquei, este é um cálculo aproximado. O cálculo exato utilizado no mercado financeiro é descrito pela fórmula abaixo, e pode ser feito por esta calculadora online.

taxa de juros real = ( (1 + remuneração da poupança) / (1 + taxa de inflação) ) – 1.

Trazendo para nosso exemplo, o ganho real seria de 0,13%, e o investidor de R$ 1.000,00 chegaria ao fim do ano com um acréscimo no poder de compra de R$ 1,30. 

Entende por que falamos que o rendimento é quase nulo? 

E existem opções melhores do que a poupança?

Já adianto que temos um texto com 10 opções de investimentos melhores que a poupança, mas vamos lá.

A poupança é a opção escolhida por 65% dos brasileiros que desejam investir. Isso acontece por dois fatores principais, medo e costume, ambos consequência da falta de educação financeira que é marca registrada do nosso país.

Acontece que existem diversas opções de investimentos que são tão seguros e práticos quanto uma poupança, mas que rendem mais. Dois exemplos são:

Tesouro Direto

Com liquidez diária (possibilidade de retirar seu dinheiro em qualquer dia útil) e taxas melhores que as da poupança, o Tesouro Direto é uma opção para quem busca sair da poupança.

Eles são uma forma do governo arrecadar recursos para suas atividades. Para isso, você empresta dinheiro ao Tesouro, e recebe uma taxa de juros sobre o empréstimo. Essa taxa de juros é seu rendimento.

Neste texto explicamos melhor seu funcionamento e como investir!

CDB

Funcionando da mesma forma que o Tesouro Direto, o CDB é uma forma de bancos arrecadarem dinheiro. 

Você empresta dinheiro para um banco e recebe os juros. Muito seguros, os CDBs normalmente são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que garante até 250.000 reais por cpf em caso de quebra do banco.

Fizemos um texto específico sobre CDBs aqui.

Espero que este texto tenha te ajudado a compreender a importância de considerar outras formas de investir além da poupança!

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