Planejamento Financeiro Passo 2 – A criação de uma Reserva Emergencial

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A reserva emergencial

Todos nós podemos passar por algum tipo de imprevisto, mesmo que nos planejamos da melhor maneira possível. O carro pode estragar de uma hora para outra, a fatura do cartão de crédito pode extrapolar o planejado, podemos adoecer e até mesmo perder o emprego.

Em outras palavras, os gastos emergenciais não tem hora e momento para acontecer. E a primeira pergunta que faço é: de onde sairia o dinheiro quando algum gasto assim surgir na sua vida? Da sua previdência? De algum empréstimo? Da venda de algum bem?

Se você não estiver preparado para situações emergenciais, pode complicar, e muito, a sua vida financeira. Apesar deste desafio, isso não impede que tenhamos a ferramenta correta para proteger o seu patrimônio ou a construção dele. Por isso, depois da poupança, o segundo passo para o planejamento financeiro é a criação da reserva emergencial.

O tamanho da reserva

A reserva de emergência será a fonte de recursos quando os gastos emergenciais acontecerem, evitando que você seja pego de surpresa. O tamanho ideal deste fundo deve ser entre 3 a 6 meses dos seus gastos mensais totais.

Nesse caso, um bom planejamento financeiro deve optar por investimentos conservadores como o Tesouro Selic ou um algum Fundo de Investimento DI com taxa de administração menor do que 1%. Por que?

Imaginemos que você investe em ações que podem sofrer uma variação de queda de 5% em um único mês. Certamente isso poderá te prejudicar caso você precise do dinheiro, uma vez que o fundo tem uma rentabilidade negativa no momento que você solicitou o resgate.

A vantagem de morar em um país que possui uma das maiores taxas de juros reais do mundo é que nos permite optar por algo conservador e mesmo assim com uma rentabilidade satisfatória.

Como proceder caso você não consiga fazer o aporte de uma única vez?

Um bom planejamento financeiro deve optar por reservar um percentual dos seus ganhos mensais para constituí-lo. No início, comece reservando um valor que não force demais o seu orçamento, como por exemplo 7%. No decorrer do ano, esse percentual pode e deve ser elevado, para que consiga chegar no montante ideal.

A medida que você vai gastando a sua reserva devido a algum imprevisto, é prioridade nos próximos meses a sua recomposição. Mas o inverso pode acontecer também. Se com o tempo, o fundo não sofrer resgates e com o efeito dos juros compostos a sua reserva superar os seus 6 meses do custo mensal, você poderá resgatar este percentual excedente e aplicar em outro projeto na sua vida.

Outro grande benefício da reserva emergencial é a liberdade que ela proporciona. Com o tempo, você não irá ficar “refém” do seu próximo salário quando algum imprevisto ocorrer.

O primeiro passo do planejamento financeiro: clique aqui.

Exemplificando

Imagine que em Janeiro a investidora Ana Colares gastou R$ 3.000,00 para custear suas despesas básicas como aluguel, gastos com consumo e lazer. Seu salário líquido é R$ 3.800,00. Ana possuía R$ 2.000,00 em um fundo DI em um banco de grande porte.

No final de janeiro, Ana estava um pouco desatenciosa e acabou batendo o seu carro. Ela ficou ansiosa com a situação, porque precisava do veículo para trabalhar. Para isso, necessitava pagar a franquia do seu seguro imediatamente, o que iria custar R$ 2.900,00.

Ana decidiu resgatar todo o valor que possuía no fundo DI para pagar os R$ 2.000,00. Os R$ 900,00 restantes ela decidiu utilizar o cheque especial até receber o seu salário (o que iria acontecer em 10 dias).

Analisando o exemplo

Quando falamos de planejamento financeiro, Ana Colares tem uma grande vantagem: ela consegue poupar R$ 800,00 reais por mês e sem grandes esforços.

O ponto negativo é que sua reserva de emergência era muito pequena perto do imprevisto que aconteceu e longe do recomendado. Fato que a obrigou a utilizar o cheque especial. O ideal é ela destinar o máximo possível dos R$ 800,00 reais que sobra por mês para a reconstrução do fundo até o saldo alcançar o volume entre R$ 9.000,00 a R$ 18.000,00.

Melhor ainda seria conseguir diminuir o seu orçamento mensal para abaixo de R$ 3.000,00. Sempre com cuidado para não estabelecer uma meta audaciosa e que não seja possível cumprir.

Você pode!

No início, pode parecer um desafio grande para você alcançar o montante de proteção. Mas lembre-se: deixar você a mercê dos imprevistos pode custar bem mais caro, como vimos no exemplo anterior. 

Importante: reserva emergencial não é “reserva de gastos desnecessários”. Ela é uma das etapas na construção correta do seu planejamento financeiro. Fique atento às tentações que irão surgir para consumir. Preste atenção ao seu orçamento, gaste somente o que tem e fique longe das dívidas.

Se você gostou desse passo, confira o primeiro da série aqui.